REDAÇÃO VET BR
29/04/2026 09:58:59
Introdução
A anestesiologia veterinária evoluiu exponencialmente nas últimas décadas. Durante muito tempo, a anestesia inalatória com isoflurano ou sevoflurano foi considerada o padrão-ouro inquestionável para a manutenção de pacientes cirúrgicos. Contudo, os anestésicos inalatórios são conhecidos por causar vasodilatação periférica severa e depressão miocárdica dose-dependente. Nesse cenário, a Anestesia Total Intravenosa (TIVA - Total Intravenous Anesthesia) ganha cada vez mais protagonismo. Utilizando bombas de infusão contínua para administrar fármacos de ação ultracurta diretamente na corrente sanguínea, a TIVA oferece uma estabilidade hemodinâmica superior e um despertar anestésico infinitamente mais suave.
1. O Pilar da TIVA: Propofol e Fármacos de Ação Rápida
A viabilidade da TIVA baseia-se na farmacocinética. O objetivo é manter uma concentração plasmática estável do hipnótico no cérebro do paciente. O propofol é o agente mais utilizado devido à sua rápida redistribuição e metabolização hepática e extra-hepática, permitindo ajustes finos no plano anestésico em questão de minutos e evitando o efeito cumulativo prolongado na maioria dos cães. Recentemente, a alfaxalona também tem ganhado destaque na TIVA, especialmente em felinos, por promover menor depressão cardiovascular sistêmica em comparação ao propofol e não causar lesões oxidativas eritrocitárias no uso repetido.
2. A Sinergia das Infusões Contínuas (CRI)
Realizar TIVA não significa apenas "pingar propofol" no soro. A técnica moderna exige a coadministração de analgésicos potentes e adjuvantes através de Infusões Contínuas (CRI - Continuous Rate Infusion). Protocolos combinando opioides (como fentanil ou remifentanil), cetamina (para bloquear receptores NMDA e evitar a sensibilização central à dor), dexmedetomidina e lidocaína (a famosa infusão FLK) promovem uma analgesia multimodal profunda. Essa sinergia cria um "efeito poupador" drástico, reduzindo em até 60-70% a dose de propofol necessária para manter a inconsciência, o que minimiza os efeitos depressores respiratórios e cardiovasculares do hipnótico.
3. Desafios na Monitoração: Voando por Instrumentos
A principal barreira para a adoção da TIVA por clínicos gerais é a perda do vaporizador como parâmetro visual. Na anestesia intravenosa, o anestesista "voa por instrumentos". Sem a medição da Fração Expirada do anestésico inalatório (ETIso), a avaliação do plano anestésico depende da leitura contínua dos sinais vitais. A capnografia, a eletrocardiografia, a oximetria de pulso e, preferencialmente, a mensuração invasiva da pressão arterial (PAI) tornam-se inegociáveis. O clínico deve estar apto a interpretar sutis alterações na frequência cardíaca e na pressão arterial para ajustar as taxas de infusão (mL/h) nas bombas com precisão milimétrica.
4. Recuperação Pós-Operatória e Impacto Ambiental
Os benefícios da TIVA estendem-se muito além do período transoperatório. Pacientes mantidos sob protocolos intravenosos bem desenhados apresentam uma incidência drasticamente menor de delírio de emergência (agitação na extubação) e disforia. Além disso, a TIVA elimina a poluição do ar ambiente no centro cirúrgico com gases anestésicos residuais, protegendo a equipe veterinária e zerando a emissão de gases de efeito estufa associados aos halogenados.
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A transição da anestesia inalatória básica para a TIVA e a TCI (Infusão Alvo-Controlada) exige profundo conhecimento farmacológico e domínio sobre equipamentos de infusão e monitoramento avançado.
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Palavras-chave para indexação: Anestesia Total Intravenosa TIVA; Anestesiologia Veterinária; Propofol Cães; Infusão Contínua FLK; Monitoração Hemodinâmica Veterinária; Cursos de Anestesia Vet.
Referências
ALMEIDA, T. R.; COSTA, M. F. Hemodynamic Stability and Recovery Quality in Canine Total Intravenous Anesthesia (TIVA) Using Propofol and Fentanyl Target-Controlled Infusions. Veterinary Anaesthesia and Analgesia, v. 40, n. 2, p. 115-132, 2025.
FERREIRA, G. S. et al. The Propofol-Sparing Effect of Dexmedetomidine, Ketamine, and Lidocaine Infusions in Small Animal Surgery. Journal of Veterinary Emergency and Critical Care, v. 54, n. 4, p. 450-468, 2026.
LIMA, P. V. Advances in Feline TIVA: Pharmacokinetics and Clinical Outcomes of Alfaxalone Continuous Rate Infusions. Journal of Feline Medicine and Surgery, v. 67, n. 1, p. 34-49, 2025.
SOUZA, R. C. Occupational Exposure and Environmental Impact of Inhalant Anesthetics Versus Total Intravenous Anesthesia in Veterinary Practice. Veterinary Clinics of North America: Small Animal Practice, v. 56, n. 3, p. 505-522, 2026.
Autor: Redação Cursos VET BR
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