REDAÇÃO VET BR
14/04/2026 09:56:44
Introdução
A oftalmologia felina possui particularidades únicas que impedem a extrapolação de condutas utilizadas em cães. Uma das condições mais emblemáticas e exclusivas da espécie é o Sequestro Corneano Felino (também conhecido como necrose corneana felina). Caracterizada pelo aparecimento de uma placa marrom ou negra na córnea, essa enfermidade progressiva é dolorosa e pode levar à perfuração ocular se não for abordada corretamente. Compreender sua etiologia e as opções cirúrgicas modernas é indispensável para preservar a visão e o conforto do paciente felino.
1. Etiologia e Fatores Predisponentes
A patogenia exata do sequestro corneano ainda é motivo de intensos estudos, mas sabe-se que ele é o resultado da necrose do estroma corneano superficial ou profundo, acompanhada pela impregnação de pigmentos marrons oriundos da lágrima (porfirinas). O sequestro raramente é uma doença idiopática. Ele atua como uma complicação secundária a processos de irritação ou ulceração crônica da córnea. O Herpesvírus Felino tipo 1 (FHV-1) é um dos principais vilões, causando ceratites crônicas que evoluem para a necrose. Além disso, fatores anatômicos têm forte peso: raças braquicefálicas como o Persa, Exótico, Himalaio e British Shorthair possuem predisposição acentuada devido ao lagoftalmo (fechamento incompleto das pálpebras), entrópio e exposição corneana excessiva.
2. Apresentação Clínica e Diagnóstico
Clinicamente, a doença inicia-se como uma leve descoloração âmbar ou marrom-clara na córnea central ou paracentral, frequentemente rodeada por neovascularização profunda (sinal de que o olho está tentando reparar o tecido necrosado) e edema. Com o tempo, a lesão se torna mais espessa, negra e rígida, destacando-se como uma "placa". O felino apresenta sinais clássicos de dor ocular: blefaroespasmo (piscar constante), epífora (lacrimejamento excessivo) e fotofobia. O teste com corante de fluoresceína é fundamental; frequentemente, há captação do corante nas margens da placa negra, indicando que o epitélio está rompido ao redor do tecido morto.
3. Tratamento Médico vs. Intervenção Cirúrgica
Embora alguns sequestros superficiais possam descamar ("slough off") espontaneamente com a ajuda de lubrificação intensa e antibióticos tópicos de suporte, o tratamento conservador é arriscado. Ele obriga o felino a conviver com dor ocular crônica por meses, além do risco iminente de infecção bacteriana secundária e perfuração corneana. O padrão-ouro de tratamento é a microcirurgia oftalmológica. A ceratectomia lamelar é a técnica de eleição, consistindo na remoção cirúrgica cuidadosa do tecido corneano necrosado sob alta magnificação (microscópio cirúrgico).
4. Técnicas de Enxertia Corneana
Quando o sequestro atinge as camadas profundas do estroma corneano, a simples remoção do tecido morto deixa uma córnea muito fina, ameaçando a integridade do globo ocular. Nesses casos de ceratectomia profunda, o cirurgião oftalmologista deve realizar procedimentos de suporte estrutural e vascular. As técnicas mais recomendadas incluem o enxerto conjuntival pediculado (trazendo suprimento sanguíneo direto para acelerar a cicatrização) ou o transplante corneo-conjuntival (CCT), onde um fragmento de córnea saudável adjacente é deslizado para preencher o defeito. O uso de membranas biológicas (como a membrana amniótica ou submucosa de intestino delgado suíno - SIS) também tem ganhado destaque para reabilitar o estroma.
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Palavras-chave para indexação: Sequestro Corneano Felino; Oftalmologia Veterinária Gatos; Ceratectomia em Gatos; Necrose de Córnea Felina; Herpesvírus Felino Oftalmologia; Cursos Oftalmologia Veterinária.
Referências
MARTINS, P. R.; LIMA, V. G. Feline Corneal Sequestrum: Pathogenesis, Predisposing Factors, and Clinical Presentation in Brachycephalic Breeds. Journal of Feline Ophthalmology, v. 39, n. 1, p. 45-62, 2025.
SILVA, R. M.; COSTA, J. T. Lamellar Keratectomy and Conjunctival Pedicle Grafts in the Surgical Management of Deep Corneal Sequestration in Cats. Veterinary Surgery and Ophthalmology, v. 48, n. 3, p. 305-318, 2025.
SOUZA, T. C. The Role of Feline Herpesvirus-1 in the Development of Chronic Keratitis and Corneal Necrosis. Veterinary Clinical Pathology of the Eye, v. 18, n. 4, p. 410-425, 2026.
Autor: Redação Cursos VET BR
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