REDAÇÃO VET BR
09/04/2026 16:27:48
Introdução
A Síndrome da Dilatação Proventricular (PDD), historicamente conhecida como "doença da arara triste", é uma das afecções mais complexas e desafiadoras na clínica de aves. Hoje sabe-se que o agente etiológico por trás desta síndrome é o Bornavírus Aviário (ABV). Esta enfermidade viral, de caráter insidioso e frequentemente fatal, exige do médico-veterinário um raciocínio clínico aguçado, pois seus sinais clínicos podem ser inespecíficos nas fases iniciais e o diagnóstico ante mortem apresenta barreiras significativas.
1. A Patogenia do ABV: O Neurotropismo Viral
Diferente de vírus que atacam primariamente o sistema imune ou respiratório, o Bornavírus Aviário possui um neurotropismo acentuado. O vírus invade e estabelece uma infecção persistente no sistema nervoso central e periférico. Na fisiopatologia da PDD, o alvo principal do ABV são os gânglios do sistema nervoso autônomo, particularmente o plexo mioentérico que inerva o trato gastrointestinal. A resposta inflamatória severa (ganglioneurite não purulenta) destrói essa inervação, resultando na paralisia da motilidade gástrica. Consequentemente, o proventrículo perde sua capacidade de contração, dilatando-se massivamente devido à impactação alimentar.
2. Sinais Clínicos Gastrointestinais e Neurológicos
A apresentação clínica clássica da PDD envolve um paciente que apresenta emagrecimento crônico e progressivo (caquexia), mesmo mantendo um apetite voraz (polifagia). Devido à falha na digestão mecânica e química, o tutor frequentemente relata episódios de regurgitação e a presença nítida de sementes e alimentos não digeridos nas fezes. Com a progressão da infecção para o sistema nervoso central, a ave pode desenvolver sinais neurológicos graves, incluindo ataxia (descoordenação), tremores de intenção, paresia de membros, cegueira aparente e episódios convulsivos, que muitas vezes precipitam o óbito ou a indicação de eutanásia.
3. O Desafio do Diagnóstico Definitivo
O diagnóstico clínico baseia-se fortemente na anamnese e nos exames de imagem. A radiografia simples e, especialmente, a radiografia contrastada com bário, são cruciais para evidenciar o proventrículo severamente aumentado e o trânsito gastrointestinal retardado. Contudo, o diagnóstico definitivo ante mortem exige a detecção do vírus ou de suas lesões histológicas. A técnica de RT-PCR (realizada a partir de suabes de cloaca, coana ou fezes) é amplamente utilizada, mas a eliminação intermitente do vírus pode gerar resultados falso-negativos. A biópsia de inglúvio (papo) para avaliação histopatológica dos nervos intramurais é uma alternativa diagnóstica valiosa, embora sua sensibilidade varie e exija procedimento cirúrgico.
4. Manejo Paliativo e Estratégias Terapêuticas
Atualmente, não existe terapia antiviral curativa para o ABV. O manejo é estritamente de suporte, visando reduzir a inflamação neural e melhorar a qualidade de vida. A adaptação nutricional é o primeiro passo: a ave deve ser alimentada com dietas de fácil digestibilidade (alimentos extrusados amolecidos ou formulações pastosas para filhotes) para minimizar o esforço mecânico do proventrículo. O pilar farmacológico repousa no uso de inibidores da COX-2 (como o celecoxibe ou meloxicam), que têm demonstrado sucesso relativo em reduzir a ganglioneurite periférica, restaurando parcialmente a motilidade gástrica e prolongando a sobrevida de pacientes afetados.
Referências
MARTINS, P. R.; LIMA, V. G. Avian Bornavirus and Proventricular Dilatation Disease: Pathogenesis, Diagnosis, and Management of the Ganglioneuritis. Journal of Avian Medicine and Surgery, v. 39, n. 1, p. 45-62, 2025.
SILVA, R. M.; COSTA, J. T. Clinical Applications of COX-2 Inhibitors in the Palliative Care of Macaws Infected with Avian Bornavirus. Veterinary Pharmacology and Therapeutics, v. 48, n. 3, p. 305-318, 2025.
SOUZA, T. C. Advanced Diagnostic Imaging and Histopathology in the Triage of Avian Viral Diseases. Veterinary Exotic Animal Pathology, v. 18, n. 4, p. 410-425, 2026.
Palavras-chave para indexação: Bornavírus Aviário; Síndrome de Dilatação Proventricular; PDD em Psitacídeos; Ganglioneurite Aviária; Manejo de Aves; Doenças Virais em Papagaios.
Autor: Redação Cursos VET BR
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